quarta-feira, 10 de março de 2010

À falta do saudoso poético lírico

Há que haver desse silêncio mortal
A vaga e abismal poética do ser
Pois é com a tristeza abraçada a lira
- A doce toxina do gozo total

Há que haver...

Tenho-a como uma menina tardia
Que me bole a face com dedos plumários
E me chupa os desejos com seus rubros lábios
Enquanto meus cachos me acaricia

É mágica, inoportuna, inoperante
Some-me em horas do acaso
Metamorfoseando o invisível
Tão pedante e indizível

É errante!

Mas quando a encontro
Ah! que bom que é!
Nasce algo decente
De sua barriga tão minha

Algo no qual porei veloz o nome
De pura senhora impura poesia.

2 comentários:

Fernando disse...

Meu caro, eu custei a crer que estes versos fossem teus. Porque parecem saídos de Bilac. Se você os fez e compôs nesse arranjo poético, meus mais caros parabéns.

Você já leu meu poema Ruptura? Caso não, recomendo. Como sempre, no blogue.

Abraço.

Anônimo disse...

Obrigadão, meu caro!

Eu tava pensando em fazer drásticas modificações, mas, depois desse elogio, acho que vou deixar assim mesmo, haha.

P.s: Ruptura é lindo!
Bastante rítmico.

Abçs.